Um levantamento atualizado sobre a violência no Brasil traz um dado que chama a atenção dos moradores do Alto Tietê: Mogi das Cruzes está entre as 20 cidades brasileiras com menor taxa de homicídios.
Os números são do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A edição mais recente foi divulgada em maio de 2026 e utiliza dados referentes a 2024. O estudo avaliou 336 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.
Mogi das Cruzes está em 19º lugar
Segundo os dados do levantamento, Mogi das Cruzes ocupa a 19ª posição entre os municípios com menores taxas de homicídios, com índice estimado de 6,6 homicídios para cada 100 mil habitantes.
A cidade aparece empatada na 19ª colocação com Cotia, também no estado de São Paulo. O resultado coloca Mogi em uma posição de destaque nacional quando o assunto é violência letal.
E tem mais: São Paulo colocou 13 municípios entre as 20 cidades com menores taxas de homicídio do país. Nenhum município paulista aparece entre os 100 mais violentos do levantamento.
E quais são as cidades mais violentas?
No outro extremo da tabela, a situação é bem diferente. O município de Maranguape, no Ceará, aparece na primeira colocação, com uma taxa estimada de 87,2 homicídios por 100 mil habitantes.
Confira as dez cidades com maiores taxas de homicídios apontadas pelo Atlas da Violência 2026:
- Maranguape (CE) – 87,2 homicídios por 100 mil habitantes
- Jequié (BA) – 79,4
- Maracanaú (CE) – 74,1
- Itapipoca (CE) – 74,0
- Caucaia (CE) – 72,9
- Juazeiro (BA) – 71,1
- Feira de Santana (BA) – 67,0
- Porto Seguro (BA) – 64,6
- Simões Filho (BA) – 64,0
- Camaçari (BA) – 62,9 homicídios por 100 mil habitantes.
O dado que chama atenção é a concentração regional: 17 das 20 cidades com maiores taxas de homicídio estão no Nordeste. Bahia e Ceará aparecem com forte presença entre os municípios com índices mais altos.
E quais são as cidades menos violentas?
Na outra ponta, os menores índices foram registrados principalmente no Sul e no Sudeste. A liderança ficou com Jaraguá do Sul (SC), com apenas 2 homicídios por 100 mil habitantes.
Entre as dez cidades com menores taxas estão:
- Jaraguá do Sul (SC) – 2,0
- Brusque (SC) – 2,6
- Santa Bárbara d’Oeste (SP) – 3,2
- Lavras (MG) – 3,6
- Bragança Paulista (SP) – 3,8
- Itatiba (SP) – 4,0
- Birigui (SP) – 4,1
- Ituiutaba (MG) – 4,7
- Atibaia (SP) – 4,8
- Votuporanga (SP) – 5,0 homicídios por 100 mil habitantes.
Mogi fica bem abaixo das cidades mais violentas
Para ter uma ideia da diferença, a taxa de 6,6 homicídios por 100 mil habitantes registrada para Mogi das Cruzes é muito inferior aos 87,2 registrados em Maranguape, município que aparece no topo da lista de maior violência letal.
Isso não significa, claro, que Mogi esteja livre da criminalidade. O levantamento mede especificamente a taxa estimada de homicídios, e não todos os tipos de crimes, como furtos, roubos, violência doméstica ou crimes contra o patrimônio.
A metodologia do Atlas considera os homicídios registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, além de uma estimativa de homicídios ocultos calculada pelo próprio Ipea.
Brasil teve 42.590 homicídios em 2024
O Atlas da Violência 2026 contabilizou 42.590 homicídios no Brasil em 2024. O levantamento também mostra que uma parcela pequena dos municípios concentra uma quantidade muito grande das mortes violentas registradas no país.
Na prática, os números mostram um Brasil bastante desigual quando o assunto é violência. Enquanto algumas cidades registram taxas relativamente baixas de homicídios, outras enfrentam índices dezenas de vezes maiores.
Mogi das Cruzes: motivo de atenção, mas também de destaque
Para quem vive em Mogi das Cruzes, o dado mais importante é que a cidade aparece na 19ª posição nacional entre os municípios analisados com menores taxas de homicídio, segundo a edição mais recente do Atlas da Violência.
É um resultado que coloca Mogi em posição de destaque no cenário nacional, especialmente porque o estudo reúne cidades de diferentes regiões e utiliza uma metodologia baseada em dados oficiais e estimativas de mortes que podem não ter sido registradas corretamente.
Importante: o Atlas da Violência 2026 é o levantamento mais recente dessa série encontrado para municípios, mas seus números municipais são referentes a 2024. Portanto, a posição de Mogi não representa necessariamente a situação criminal da cidade em 2026.
Fonte: Atlas da Violência 2026 – Ipea/Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Texto: Leandro Gomes